O Direito das Famílias e Sucessões vive um momento de transformação profunda, marcado por mudanças sociais, avanços tecnológicos e reformas legislativas. Em 2026, questões como abandono afetivo, aplicação da inteligência artificial na análise de casos e a Reforma do Código Civil ganham protagonismo, impactando a forma como se estabelecem direitos, deveres e responsabilidades dentro do núcleo familiar. Este artigo explora as tendências que moldam o cenário jurídico, oferecendo uma visão analítica sobre como esses fatores influenciam decisões judiciais e práticas de advocacia.
O abandono afetivo continua sendo um tema sensível e de grande relevância. Com a crescente valorização do bem-estar emocional, tribunais têm reconhecido que a ausência de cuidado, afeto e atenção de pais ou responsáveis pode gerar responsabilidade civil. A jurisprudência recente demonstra que decisões fundamentadas em provas concretas de negligência emocional não apenas protegem o indivíduo, mas também refletem uma mudança cultural no entendimento das obrigações familiares. Advogados especializados em Direito de Família precisam estar atentos às nuances de cada caso, considerando aspectos subjetivos e a intensidade do vínculo afetivo para construir argumentos sólidos.
Paralelamente, a incorporação de inteligência artificial no Direito das Famílias e Sucessões começa a redefinir práticas antes exclusivamente humanas. Ferramentas capazes de analisar grandes volumes de dados, identificar padrões em decisões judiciais e sugerir estratégias jurídicas proporcionam maior eficiência na elaboração de petições e previsões de resultados. Contudo, a utilização de IA não elimina a necessidade do discernimento humano, especialmente em questões delicadas que envolvem sentimentos, direitos fundamentais e princípios de equidade. A combinação de tecnologia e interpretação jurídica é uma tendência que tende a crescer, oferecendo suporte à advocacia e à tomada de decisão, sem substituir a análise ética e emocional necessária em cada caso.
A Reforma do Código Civil também exerce forte influência sobre o Direito das Famílias e Sucessões. Atualizações em regimes de bens, novas definições de responsabilidade parental e alterações em regras sucessórias demandam atenção redobrada de juristas e operadores do direito. A modernização legislativa busca adequar o sistema jurídico às dinâmicas contemporâneas das relações familiares, incluindo diferentes formas de união, pluralidade de arranjos familiares e proteção patrimonial. A adaptação a essas mudanças exige planejamento estratégico, atualização constante e compreensão das implicações práticas das novas normas.
Entre outras tendências emergentes, destaca-se a crescente complexidade das sucessões digitais. O patrimônio online, que inclui contas bancárias digitais, criptomoedas e arquivos pessoais em nuvem, exige uma abordagem jurídica moderna. A regulamentação ainda evolui, mas já é evidente que herdeiros e inventariantes precisam considerar direitos sobre bens intangíveis, segurança de dados e instrumentos legais que garantam a transferência adequada desses ativos. A gestão de sucessões passa a incorporar tecnologia e planejamento antecipado, refletindo uma realidade digitalizada.
A mediação e conciliação ganham relevância, incentivadas pela busca por soluções menos litigiosas e mais humanizadas. Conflitos familiares frequentemente envolvem relações emocionais delicadas, e a capacidade de resolver disputas por meio de acordos colaborativos evita desgaste e preserva laços. Advogados e profissionais especializados em mediação precisam combinar habilidades jurídicas e sociais, facilitando diálogos que promovam resultados equilibrados e duradouros. Esta tendência evidencia a valorização de métodos alternativos de resolução, alinhando prática jurídica e bem-estar familiar.
Outra mudança significativa diz respeito à responsabilidade compartilhada entre pais e mães, reforçada por decisões judiciais recentes. O equilíbrio entre trabalho, cuidado infantil e participação ativa na vida dos filhos passa a ser monitorado não apenas pela legislação, mas também pela interpretação dos tribunais, considerando evidências de envolvimento, atenção e afeto. A compreensão do abandono afetivo, combinada com a aplicação de regras patrimoniais e de sucessão, cria uma perspectiva mais ampla sobre a proteção de interesses e direitos dentro da família.
O cenário de 2026 também aponta para o fortalecimento de instrumentos de planejamento patrimonial, incluindo testamentos, contratos de convivência e regimes de bens específicos. A prevenção de conflitos e a clareza nas disposições legais se tornam estratégicas para famílias complexas e patrimônios diversificados. A atuação do advogado se expande do contencioso para o consultivo, oferecendo orientação personalizada e antecipada que evita litígios e assegura a distribuição justa de direitos e responsabilidades.
O Direito das Famílias e Sucessões mostra, portanto, uma convergência entre tradição e inovação. Temas históricos, como abandono afetivo e responsabilidade parental, coexistem com desafios modernos, como inteligência artificial, patrimônio digital e reformas legislativas. A integração de tecnologia, ética e humanização cria um ambiente jurídico mais dinâmico, exigindo profissionais preparados, atualizados e sensíveis às demandas sociais contemporâneas.
Essas tendências indicam que o exercício da advocacia e a atuação judicial devem se basear em análise crítica, planejamento estratégico e compreensão profunda das mudanças culturais e tecnológicas. O profissional que domina essas dimensões está apto a oferecer soluções mais eficientes, proteger direitos de maneira abrangente e conduzir famílias e sucessões de forma equilibrada, segura e alinhada às expectativas da sociedade atual.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

