Integração via Pix, TED e APIs bancárias reduz o tempo em que os recursos captados por fundos de investimento ficam parados sem remuneração, otimizando o rendimento entregue aos cotistas
Em um mercado de capitais que movimentou R$ 361,8 bilhões em ofertas apenas no primeiro semestre de 2026, segundo levantamento da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA), a velocidade com que os recursos captados por um fundo são efetivamente alocados em ativos rentáveis tornou-se um fator decisivo de competitividade. Cada dia em que o dinheiro de um investidor permanece em conta corrente, aguardando processamento manual antes de ser direcionado a um título de crédito ou a uma nova aplicação, representa rentabilidade que deixa de ser gerada. Esse fenômeno, conhecido no mercado financeiro como cash drag, tornou-se uma das principais frentes de investimento tecnológico entre administradores fiduciários e custodiantes independentes.
O cash drag ocorre sempre que há um descasamento entre o momento em que os recursos entram na conta de um fundo, seja por meio de novos aportes, resgates de outras posições ou pagamentos de juros e amortizações, e o momento em que esse capital é efetivamente realocado. Em estruturas que lidam com alto volume de movimentações diárias, como fundos de crédito privado e FIDCs, esse hiato pode se acumular ao longo do tempo e corroer parte da rentabilidade prometida aos cotistas, especialmente em cenários de juros elevados, quando o custo de oportunidade de manter recursos parados é mais alto.
A automação como resposta ao aumento de volume transacional
A resposta da indústria a esse desafio passou pela automação da conciliação bancária, processo que consiste em cruzar, de forma contínua e eletrônica, os lançamentos financeiros registrados nas contas dos fundos com as movimentações efetivamente processadas pelas instituições bancárias. Historicamente realizada por meio de conferências manuais e arquivos trocados ao final do dia, a conciliação bancária passou a ser executada em tempo real graças à integração direta entre plataformas de gestão de fundos e os sistemas de pagamento via Pix, TED e APIs bancárias.
A ID CTVM foi a primeira corretora autorizada pelo Banco Central do Brasil a operar com conta de pagamentos integrada nativamente à sua própria infraestrutura tecnológica, o que permite à companhia processar simultaneamente a liquidação financeira e a atualização contábil das posições de cada fundo sob sua administração, sem depender de processos intermediários de conciliação manual entre diferentes sistemas.
Rodrigo Balassiano, diretor da ID CTVM, explica o impacto direto dessa automação sobre a rentabilidade entregue aos investidores:
“Cada hora em que um recurso permanece parado, sem ser direcionado a um ativo remunerado, representa custo de oportunidade para o cotista. Ao integrar nativamente a conta de pagamentos à nossa plataforma de gestão de fundos, conseguimos reduzir drasticamente o tempo entre a entrada de um recurso e sua realocação em um novo título de crédito, o que se traduz em ganho de rentabilidade real ao longo do tempo, sobretudo em fundos com alto giro de caixa”.
Contas de pagamento e escrow ganham relevância operacional
Além da conciliação bancária, a gestão eficiente de caixa em fundos estruturados passa cada vez mais pelo uso de contas de pagamento segregadas e de estruturas de escrow, mecanismo pelo qual os recursos ficam retidos sob condições contratuais específicas até que determinados eventos, como o cumprimento de covenants ou a comprovação de entrega de garantias, sejam verificados. Essas estruturas são particularmente relevantes em operações de FIDCs e de financiamento de cadeia produtiva (supply chain finance), nas quais múltiplos participantes, como fornecedores, compradores e cedentes de recebíveis, precisam ter a segurança de que os recursos serão liberados apenas quando as condições contratuais forem atendidas.
A capacidade de operar contas de pagamento de forma integrada à administração fiduciária, sem depender de bancos terceiros para cada etapa da liquidação, permite reduzir o número de intermediários envolvidos em uma operação estruturada, o que diminui tanto o custo quanto o risco operacional. Essa integração também melhora a experiência de gestores e emissores, que passam a acompanhar em uma única plataforma o fluxo completo de caixa de seus fundos, desde a captação até a alocação final dos recursos.
Tecnologia bancária se torna diferencial competitivo entre administradores fiduciários
À medida que o volume de operações estruturadas cresce no mercado brasileiro, a capacidade de processar transações financeiras com velocidade e precisão deixa de ser um detalhe operacional e passa a compor diretamente a proposta de valor entregue por administradores fiduciários e custodiantes aos gestores e investidores. Instituições que ainda dependem de processos manuais de conciliação tendem a enfrentar maior dificuldade para acompanhar o ritmo de crescimento de fundos com alto volume transacional diário.
Com o mercado de capitais brasileiro sustentando trajetória de expansão e os fundos estruturados ganhando espaço nas carteiras de investidores institucionais e de varejo, a automação da gestão de caixa tende a se consolidar como um requisito básico, e não mais um diferencial, para instituições que pretendem administrar fundos de grande porte com eficiência operacional e segurança para os cotistas.
Sobre a ID CTVM
A ID CTVM é uma instituição especializada em infraestrutura para o mercado de capitais, com serviços de administração fiduciária, custódia, escrituração, controladoria e distribuição de fundos de investimento. Fundada em 2020, a companhia reúne atualmente mais de 550 fundos e mais de R$50 bilhões sob administração e custódia, com presença relevante em estruturas como FIDCs, FIPs e FIIs. Combinando tecnologia, governança, conhecimento regulatório e eficiência operacional, a ID oferece suporte a gestores, investidores, empresas e demais participantes do mercado, contribuindo para operações mais seguras, eficientes e transparentes.
