Polícia Federal investiga fraude bancária em Minas Gerais enquanto governo reforça orientações contra invasão de contas na plataforma
A conta GOV.BR se tornou uma das principais portas de entrada para fraudes digitais no Brasil ao longo de 2026, movimento que já levou a Polícia Federal a abrir investigações em diferentes estados e o próprio governo federal a divulgar orientações específicas sobre como agir em caso de invasão. A plataforma, que hoje reúne mais de 176 milhões de usuários e dá acesso a mais de 4.600 serviços digitais federais, além de outros oito mil serviços estaduais e municipais, virou alvo frequente de golpistas justamente por concentrar a identidade digital de boa parte da população.
Um dos casos mais recentes foi registrado em Montes Claros, em Minas Gerais, onde a Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão contra um suspeito de invadir a conta GOV.BR de uma vítima para abrir uma conta bancária em seu nome e contratar empréstimos fraudulentos junto à Caixa Econômica Federal. O prejuízo estimado à instituição financeira chegou a cerca de R$ 195 mil, e as investigações reuniram provas por meio de análises papiloscópicas, comparação facial e rastreamento da movimentação bancária ligada às operações suspeitas. O investigado pode responder por crimes como invasão de dispositivo informático, falsa identidade, uso de documento falso, estelionato eletrônico qualificado e associação criminosa.
Um dos métodos mais comuns usados pelos criminosos é o chamado golpe da falsa atualização do GOV.BR, um esquema de phishing em que a vítima recebe uma mensagem com tom oficial, alegando bloqueio de CPF ou suspensão de benefício, e é induzida a clicar em um link que imita o site verdadeiro do governo. O contato costuma chegar por SMS, WhatsApp, e-mail ou redes sociais, sempre com linguagem de urgência e prazo curto para induzir a vítima a agir sem verificar a autenticidade da mensagem.
Ao conseguir acesso à conta, o golpista pode explorar a identidade digital da vítima para entrar em serviços sensíveis, alterar dados cadastrais, solicitar benefícios em nome de terceiros e até usar as informações obtidas em novas tentativas de fraude contra outras pessoas. Esse tipo de golpe é classificado como engenharia social justamente porque não depende de falhas técnicas na plataforma, mas sim de convencer a vítima a fornecer voluntariamente seus dados de acesso.
Diante do aumento dos casos, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) divulgou, em abril, uma série de orientações para quem suspeita ter tido a conta GOV.BR invadida. A primeira recomendação é registrar imediatamente um boletim de ocorrência, da mesma forma que se faria em caso de roubo de um documento físico, já que o registro formal é importante para subsidiar investigações policiais e verificar a legitimidade de ações realizadas em nome da vítima.
Segundo o secretário de Governo Digital, Rogério Mascarenhas, a plataforma não tem histórico de vazamentos ou invasões em seus próprios sistemas, mas o cuidado do usuário continua sendo decisivo para evitar cair em golpes de engenharia social. Entre as medidas de prevenção recomendadas pelo ministério estão o sigilo da senha, que deve ser tratada com o mesmo cuidado dado a uma senha bancária, a ativação da verificação em duas etapas e a elevação do nível da conta para Ouro, o que habilita a biometria facial integrada aos dados da Carteira de Identidade Nacional (CIN) e da Justiça Eleitoral.
Outra ferramenta indicada pelo governo é a gestão de dispositivos disponível dentro da própria plataforma, que permite ao usuário verificar quais aparelhos e localizações acessaram sua conta recentemente e identificar rapidamente qualquer atividade estranha. Caso o acesso não seja reconhecido, a orientação é bloquear imediatamente o dispositivo utilizado e alterar a senha assim que o controle da conta for recuperado, já que o histórico de acesso registrado pela plataforma é justamente o que permite às autoridades reconstruir o caminho percorrido pelo criminoso.
Para quem já teve a conta comprometida, a recuperação pode ser feita pela opção de reconhecimento facial, disponível após informar o CPF e selecionar a alternativa de recuperação de senha, o que permite manter o nível de conta já conquistado anteriormente, incluindo eventual conta Ouro vinculada à biometria da CIN. Em caso de dúvidas ou dificuldades técnicas, o canal oficial de atendimento do GOV.BR concentra as orientações sobre todos os procedimentos de segurança e o passo a passo para relatar suspeitas de fraude às autoridades competentes.
O crescimento desse tipo de golpe reforça a importância de o cidadão desconfiar de mensagens que pedem atualização urgente de cadastro ou ameaçam bloqueio imediato de serviços públicos, sempre validando o endereço do site antes de qualquer tentativa de login e evitando clicar em links recebidos por mensagem. Como reforça o próprio governo, o cuidado com a senha e com os dados de acesso à conta GOV.BR hoje equivale a proteger a chave de entrada para boa parte da vida digital do cidadão brasileiro.
Fontes consultadas:
https://webterra.com.br/2026/07/14/policia-federal-investiga-fraude-de-r-195-mil-com-invasao-de-conta-gov-br-em-montes-claros
https://oantagonista.com.br/brasil/golpe-da-falsa-atualizacao-do-gov-br-usa-urgencia-para-roubar-acesso-e-pode-assumir-sua-conta-rapidamente/
https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202604/gov-br-o-que-fazer-em-caso-de-golpes-de-roubo-da-identidade-digital
https://www.gov.br/gestao/pt-br/assuntos/noticias/2026/abril/gov-br-o-que-fazer-em-caso-de-golpes-de-roubo-da-identidade-digital
