Logo nas primeiras reflexões sobre o envelhecimento, o doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria, destaca que o sono passa por transformações importantes ao longo da vida. Entender se o mais relevante é dormir mais ou dormir melhor tornou-se um ponto central na gerontologia contemporânea. Este artigo explora como o padrão de sono muda na velhice, quais fatores interferem na qualidade do descanso e por que a atenção a esse aspecto pode impactar diretamente a saúde física e mental dos idosos.
O que muda no sono com o envelhecimento?
Com o avanço da idade, o organismo sofre alterações naturais que afetam o ciclo sono-vigília. O tempo total de sono tende a diminuir, enquanto despertares noturnos se tornam mais frequentes. Isso não significa, necessariamente, que o idoso esteja dormindo mal, mas indica uma reorganização fisiológica do descanso.
Sob essa perspectiva, o especialista Yuri Silva Portela ressalta que muitos idosos passam a dormir mais cedo e acordar antes do amanhecer, fenômeno conhecido como avanço de fase. Esse padrão pode gerar desconforto quando não há adaptação à rotina, impactando a disposição e a qualidade de vida no dia seguinte.
Dormir mais significa dormir melhor?
A ideia de que mais horas de sono equivalem a melhor descanso nem sempre se aplica à população idosa. O foco deve estar na eficiência do sono, ou seja, na capacidade de atingir fases restauradoras, como o sono profundo, essenciais para recuperação física e cognitiva.
Nesse contexto, o doutor Yuri Silva Portela enfatiza que a qualidade do sono envolve fatores como continuidade, profundidade e sensação de descanso ao despertar. Um idoso pode dormir menos horas e, ainda assim, apresentar excelente qualidade de sono, desde que não haja fragmentação excessiva ou interrupções frequentes.
Quais fatores prejudicam a qualidade do sono na velhice?
Diversos elementos podem comprometer o sono na terceira idade, incluindo condições crônicas como dor, doenças cardiovasculares e distúrbios respiratórios. Ainda, o uso de múltiplos medicamentos pode interferir diretamente nos ciclos naturais do organismo.
Outro ponto relevante envolve aspectos emocionais e comportamentais. Ansiedade, solidão e mudanças na rotina social também influenciam negativamente o descanso. Nesse cenário, o geriatra Yuri Silva Portela destaca a importância de uma avaliação ampla, considerando não apenas fatores biológicos, mas também o contexto de vida do idoso.
Como melhorar a qualidade do sono na terceira idade?
Adotar hábitos saudáveis é fundamental para promover um sono mais reparador. Manter horários regulares para dormir e acordar, evitar estímulos luminosos à noite e praticar atividades físicas durante o dia são estratégias eficazes para regular o ritmo biológico.

Adicionalmente, o profissional Yuri Silva Portela recomenda a criação de um ambiente propício ao descanso, com conforto térmico, silêncio e iluminação adequada. Pequenas mudanças no cotidiano podem gerar impactos significativos na qualidade do sono, contribuindo para mais disposição e bem-estar.
Qual é o papel da gerontologia no cuidado com o sono?
A gerontologia desempenha um papel essencial na compreensão das necessidades específicas do idoso, incluindo o sono como um dos pilares da saúde integral. Profissionais da área avaliam padrões de descanso e identificam possíveis distúrbios que podem passar despercebidos.
Sob essa ótica, o doutor Yuri Silva Portela reforça que intervenções personalizadas são fundamentais para promover um envelhecimento saudável. A abordagem gerontológica considera o indivíduo em sua totalidade, buscando equilíbrio entre aspectos físicos, emocionais e sociais.
Por que priorizar a qualidade do sono é essencial?
A qualidade do sono está diretamente relacionada à memória, ao humor e à capacidade funcional do idoso. Noites mal dormidas podem aumentar o risco de quedas, comprometer o sistema imunológico e agravar doenças preexistentes.
Por outro lado, um sono de boa qualidade contribui para maior autonomia e independência. Mais do que contar horas, é necessário observar como o corpo responde ao descanso. Essa mudança de perspectiva permite intervenções mais assertivas e melhora significativa na qualidade de vida.
Portanto, ao considerar o sono como um indicador de saúde, torna-se evidente que a qualidade deve prevalecer sobre a quantidade. Investir em hábitos saudáveis e buscar orientação especializada são passos essenciais para garantir um envelhecimento mais equilibrado e ativo.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
