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O último elo da saúde pública: Tiago Oliva Schietti explica por que funerárias e cemitérios são serviços sanitários essenciais

2 de junho de 2026
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Tiago Oliva Schietti
Tiago Oliva Schietti
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Funerárias e cemitérios ocupam um lugar singular na saúde pública, frequentemente ignorado nos debates sobre saneamento. Para Tiago Oliva Schietti, profissional no segmento de cemitérios, memorialização e serviços funerários, estes estabelecimentos representam o último elo de uma longa corrente sanitária que começa no nascimento e se encerra com o tratamento digno e seguro dos corpos após a morte. 

Contents
  • Por que funerárias e cemitérios são considerados serviços de saúde pública?
  • O que acontece quando esse serviço falha?
  • A tecnologia como aliada da gestão funerária
  • Como a regulação fortalece o setor funerário?
  • Reconhecer o essencial para proteger a todos

Neste artigo, você vai entender por que esses serviços vão muito além do aspecto emocional e ritualístico, por que sua regulação é imprescindível para a saúde coletiva e de que forma a tecnologia tem transformado essa realidade. Continue lendo e descubra como o setor funerário impacta diretamente a vida de toda a população.

Por que funerárias e cemitérios são considerados serviços de saúde pública?

A resposta para essa pergunta está na ciência, não no senso comum. O manejo inadequado de corpos representa um risco sanitário real e documentado. Segundo Tiago Oliva Schietti, o corpo humano após o óbito pode ser vetor de transmissão de doenças infecciosas, especialmente quando não recebe o tratamento correto dentro do tempo adequado. Ignorar essa realidade é colocar em risco não apenas as famílias enlutadas, mas toda a comunidade ao redor.

Além disso, cemitérios mal geridos podem contaminar o solo e os lençóis freáticos, comprometendo a qualidade da água em regiões inteiras. Esse impacto ambiental direto reforça o argumento de que a gestão funerária não é uma questão apenas de protocolo, mas de saúde coletiva. Quando se fala em saneamento básico, é fundamental incluir nessa equação o destino final dos corpos humanos como parte integrante do sistema.

O que acontece quando esse serviço falha?

As consequências de um sistema funerário precário vão além do visível. Surtos de doenças, contaminação de recursos hídricos e crises sanitárias em períodos de alta mortalidade, como ocorreu durante a pandemia de Covid-19, escancaram a fragilidade de municípios que não tratavam o setor com a devida seriedade. Tiago Oliva Schietti retrata que eventos extremos revelam o quanto a infraestrutura funerária é indispensável para a resposta do Estado em situações de emergência sanitária.

A falta de regulamentação adequada também abre espaço para práticas irregulares, como o descarte impróprio de resíduos biológicos e o uso de produtos químicos sem controle em processos de tanatopraxia. Esses problemas, quando negligenciados, geram passivos sanitários de difícil reversão. Portanto, fiscalizar e estruturar o setor funerário é tão urgente quanto investir em hospitais ou redes de esgoto.

Tiago Oliva Schietti
Tiago Oliva Schietti

A tecnologia como aliada da gestão funerária

A tecnologia tem desempenhado um papel cada vez mais relevante na modernização do setor funerário. Sistemas digitais de gestão de cemitérios, plataformas de agendamento online, rastreamento de sepultamentos e emissão eletrônica de documentos são alguns dos recursos que já fazem parte da rotina de estabelecimentos mais estruturados. Como observa o empresário do setor cemiterial e funerário, Tiago Oliva Schietti, a adoção de tecnologia não apenas melhora a eficiência operacional, mas também eleva o padrão sanitário dos serviços prestados.

A tecnologia também contribui para a transparência e o controle regulatório, visto que, com dados digitalizados, órgãos fiscalizadores conseguem monitorar com mais precisão o cumprimento das normas sanitárias, identificar irregularidades e agir preventivamente. Nesse cenário, investir em tecnologia no setor funerário deixa de ser um diferencial competitivo e passa a ser uma exigência para quem deseja operar com responsabilidade e dentro da lei.

Entre os principais benefícios da tecnologia aplicada ao setor, destacam-se:

  • Digitalização de registros de óbito e sepultamento, reduzindo erros e extravios documentais;
  • Monitoramento ambiental automatizado em cemitérios, prevenindo contaminação do solo e da água;
  • Plataformas de atendimento remoto às famílias, com mais agilidade e menos exposição em momentos de vulnerabilidade;
  • Sistemas de rastreabilidade para o transporte de corpos, garantindo segurança e conformidade sanitária;
  • Gestão de resíduos biológicos com controle digital, minimizando riscos de descarte inadequado.

Esses recursos, quando bem implementados, transformam a operação funerária em um processo mais seguro, auditável e alinhado às exigências sanitárias contemporâneas.

Como a regulação fortalece o setor funerário?

A regulação é o instrumento que transforma boas intenções em práticas concretas e verificáveis. Sob a ótica de Tiago Oliva Schietti, um marco regulatório sólido para funerárias e cemitérios precisa contemplar desde as condições físicas das instalações até os protocolos de higiene, capacitação de profissionais e gestão de resíduos. Sem normas claras e fiscalização efetiva, o mercado funerário opera em um vácuo que compromete tanto a qualidade do serviço quanto a segurança da população.

Municípios que investem na regulamentação do setor colhem benefícios que vão além da saúde pública. A formalização das empresas funerárias gera empregos dignos, aumenta a arrecadação tributária e reduz a informalidade, criando um ambiente mais competitivo e ético. Regulação, portanto, não é burocracia: é o alicerce sobre o qual se constrói um serviço essencial de qualidade.

Reconhecer o essencial para proteger a todos

Reconhecer funerárias e cemitérios como serviços sanitários essenciais é um passo civilizatório que muitas cidades brasileiras ainda precisam dar. De acordo com Tiago Oliva Schietti, tratar esse setor com a seriedade que ele merece é uma forma concreta de respeitar tanto os mortos quanto os vivos, protegendo comunidades inteiras de riscos invisíveis, mas reais. A saúde pública começa no nascimento, mas só se completa quando o ciclo da vida é encerrado com responsabilidade, técnica e dignidade.

A tecnologia, a regulação e a conscientização coletiva formam o tripé necessário para elevar o padrão funerário no Brasil. Cada avanço nessa direção representa uma vitória para a saúde pública como um todo. O último elo dessa corrente precisa ser tão forte quanto todos os outros.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

 

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