O Brasil está vivendo mais, mas o aumento da longevidade traz uma questão que vai muito além da expectativa de vida: o país está preparado para sustentar uma população que permanecerá mais tempo na velhice? Doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria, acompanha uma área diretamente relacionada a esse desafio. O envelhecimento populacional amplia a necessidade de cuidados contínuos, prevenção, acompanhamento de doenças crônicas e preservação da autonomia.
Leia mais a seguir!
Viver mais muda a demanda por saúde?
O aumento da longevidade representa uma conquista importante, mas também modifica o perfil das necessidades da população. Pessoas idosas podem precisar de acompanhamento durante muitos anos, especialmente quando convivem com doenças crônicas, limitações funcionais ou situações que exigem apoio para atividades cotidianas. Esse cenário exige uma organização do cuidado capaz de acompanhar diferentes necessidades ao longo das diversas fases do envelhecimento.
Isso significa que o sistema de saúde precisa estar preparado não apenas para tratar episódios agudos, mas também para acompanhar o envelhecimento ao longo do tempo. A atenção primária ganha importância justamente porque pode identificar mudanças de saúde, acompanhar condições crônicas e reconhecer sinais de vulnerabilidade antes que eles resultem em perda maior de autonomia. A continuidade desse acompanhamento permite observar alterações de forma gradual e definir quando é necessário ampliar a investigação ou buscar atendimento especializado.
Para o Doutor Yuri Silva Portela, esse cenário reforça a importância da geriatria e de uma visão ampliada sobre o envelhecimento. A saúde do idoso não pode ser avaliada somente pela quantidade de diagnósticos. Capacidade funcional, mobilidade, cognição e contexto social também interferem na necessidade de cuidado. Considerar esses diferentes aspectos ajuda a compreender melhor as necessidades de cada pessoa e a planejar um acompanhamento mais compatível com sua realidade.
Quem vai cuidar de uma população cada vez mais velha?
O envelhecimento não aumenta apenas a demanda por consultas médicas. Também amplia a necessidade de profissionais capazes de atuar em diferentes dimensões do cuidado. Fisioterapeutas, enfermeiros, psicólogos, nutricionistas, assistentes sociais e cuidadores podem participar de diferentes etapas da assistência, de acordo com as necessidades de cada pessoa. A atuação conjunta desses profissionais pode contribuir para que aspectos distintos da saúde sejam observados de forma integrada.

O Doutor Yuri Silva Portela informa que essa integração se torna especialmente importante porque nem todos os idosos envelhecem da mesma maneira. Enquanto alguns permanecem independentes por muitos anos, outros podem precisar de apoio crescente para atividades básicas. Uma rede preparada precisa conseguir identificar essas diferenças e organizar o cuidado de acordo com cada situação. Dessa forma, o atendimento pode ser ajustado conforme as capacidades, limitações e necessidades apresentadas ao longo do tempo.
O cuidado precisa sair do consultório?
Para uma parcela dos idosos, chegar até uma unidade de saúde pode ser difícil. Limitações de mobilidade, fragilidade e dependência podem transformar um deslocamento comum em um obstáculo importante. Por isso, preparar o sistema para a longevidade também significa pensar em modelos de atendimento que se aproximem do paciente. Essa aproximação pode facilitar o acesso justamente para quem encontra mais dificuldades para buscar atendimento por conta própria.
Em 2026, o Ministério da Saúde lançou o Programa de Atenção Domiciliar à Pessoa Idosa, voltado a pessoas com limitações funcionais. A iniciativa prevê equipes multiprofissionais atuando nas residências e amplia a participação da atenção domiciliar na estratégia de cuidado da população idosa. A proposta reforça a necessidade de considerar as condições de vida e as limitações de deslocamento na organização da assistência.
O Doutor Yuri Silva Portela destaca que esse movimento mostra uma mudança importante: cuidar de quem envelhece não significa necessariamente esperar que o paciente chegue ao serviço. Em determinadas situações, levar o cuidado até a residência pode facilitar o acompanhamento e permitir que profissionais conheçam melhor as condições em que aquela pessoa vive. A avaliação no próprio ambiente também pode revelar obstáculos que dificilmente seriam percebidos apenas durante uma consulta realizada fora de casa.
