O Conselho Nacional de Justiça anunciou, em 29 de setembro de 2026, novas funcionalidades para a versão 2.0 da Consulta Nacional de Pessoas. A ferramenta, de uso exclusivo de magistrados, reúne em um único ambiente informações provenientes de diferentes bases relacionadas a pessoas físicas e jurídicas envolvidas em processos judiciais.
Entre os recursos incorporados está um mapa de calor que permite visualizar a distribuição geográfica dos processos nos quais advogados e advogadas aparecem como representantes. A atualização também amplia a integração com sistemas oficiais, incluindo o Sistema Eletrônico dos Registros Públicos (Serp), o Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP 3.0) e o Domicílio Judicial Eletrônico.
Segundo o Conselho Nacional de Justiça, a solução foi aprimorada no âmbito da transformação digital do Judiciário e pode apoiar a análise de informações processuais de maneira mais integrada. O objetivo é facilitar a consulta a registros que antes estavam distribuídos em diferentes sistemas.
Mapa mostra distribuição geográfica de processos
O mapa de calor é uma das principais novidades da versão 2.0. A funcionalidade apresenta a distribuição geográfica dos processos em que profissionais da advocacia atuam como representantes, permitindo identificar localidades com maior concentração de registros vinculados a determinada atuação processual.
Na prática institucional, esse tipo de visualização pode auxiliar magistrados a compreender o perfil e a abrangência territorial da atuação de advogados e advogadas. A ferramenta também pode contribuir para a análise de demandas repetitivas, conexões entre processos e padrões de representação observados em diferentes regiões.
O recurso, contudo, deve ser compreendido dentro da finalidade para a qual foi criado. A existência de concentração geográfica ou de volume significativo de processos constitui uma informação para análise judicial, mas não representa, isoladamente, uma conclusão sobre a regularidade da atuação profissional ou sobre o conteúdo das demandas.
Integração com Serp, BNMP 3.0 e Domicílio Judicial Eletrônico
A atualização conecta a Consulta Nacional de Pessoas ao Sistema Eletrônico dos Registros Públicos, conhecido como Serp. A integração amplia o conjunto de informações que pode ser consultado no ambiente, especialmente em situações nas quais dados de registros públicos tenham relação com pessoas físicas ou jurídicas presentes em processos judiciais.
Também foi incluído o Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões, em sua versão 3.0. O BNMP 3.0 reúne informações relacionadas a medidas penais e prisões, e sua conexão com a ferramenta permite uma consulta mais abrangente dentro das bases utilizadas pelo Judiciário.
Outra novidade envolve o Domicílio Judicial Eletrônico. A ferramenta passou a permitir uma consulta mais integrada ao sistema, que faz parte da estratégia de comunicação processual digital do Judiciário. Com isso, magistrados podem acessar informações de diferentes fontes a partir de um ambiente concentrado, reduzindo a necessidade de pesquisas fragmentadas.
Uso institucional exige análise cuidadosa dos dados
Embora o acesso à Consulta Nacional de Pessoas seja restrito a magistrados, a ampliação da capacidade de cruzamento e visualização de dados tem relevância para a advocacia. As informações organizadas pela plataforma podem influenciar a forma como o Judiciário identifica padrões de litigância, concentração de demandas e possíveis relações entre processos.
Para advogados, escritórios e entidades da classe, o tema também envolve atenção à governança das informações processuais. Registros reunidos em bases oficiais podem ser úteis para a atividade jurisdicional, mas precisam ser interpretados de acordo com seu contexto e finalidade, sem generalizações automáticas a partir de quantidade, localização ou recorrência de processos.
A proteção de dados e os limites do monitoramento institucional aparecem, assim, como pontos relevantes no debate sobre ferramentas de inteligência judicial. A Consulta Nacional de Pessoas não substitui a análise individual dos autos nem transforma dados organizados em conclusões definitivas sobre pessoas, empresas ou profissionais da advocacia.
Ferramenta integra agenda do Justiça 4.0
A nova versão faz parte da agenda de modernização tecnológica associada ao programa Justiça 4.0. Conforme as informações apresentadas pelo CNJ, a iniciativa busca ampliar o uso de soluções digitais e promover maior integração entre sistemas do Poder Judiciário.
Com a atualização, a Consulta Nacional de Pessoas passa a combinar dados de diferentes fontes, recursos de visualização territorial e acesso integrado a bases relevantes para a atividade judicial. A novidade reforça o movimento de centralização de informações processuais, ao mesmo tempo em que amplia a necessidade de uso responsável, contextualizado e compatível com as finalidades institucionais da ferramenta.
